quarta-feira, 11 de março de 2015

Velho

E se eu pudesse me escutar...
Velho...
É tudo que eu penso estar ficando;
Velho...
Em pensar que sou tão novo,
Embora tão frio.
Devorado por uma fome
Que não alimentava por anos.
Devorado por uma cena
Que de fato não se repetia.
Hoje crio minhas fantasias,
No meu mar de antigas ilusões.
Ela me pegava em seus braços
Sussurrava palavras de amor
Enquanto jurava em falso.
Aquele seu antigo ardor.
E os cometas se despencavam,
Durante o fim de setembro.
As coisas eram tão quentes,
Que por um segundo ficaram tão frias.
E às vezes eu penso estar na beira do mundo,
Assim como estar à deriva de um abismo.
"Há mais uma chance"
E se eu pudesse me escutar...

                         - Gabriel Vilodre.



segunda-feira, 23 de junho de 2014

Necronomicon

 Os tambores do inferno me cercam como uma sinfonia de horrores...
Eu estive à lutar contra as tuas visões...
...Ela despenca de suas asas e começa a flutuar, batendo voo para o inexplicável...

Penso eu estar preso em seu ciclo de visões.

A caverna não é mais segura quanto os seus antepassados, não mais.
E ela dirige-se para as orlas negras do mar
E, quando volta a mover-se, eu clamo por me apaixonar.

O pretume de sua sombra continua a murmurar como de costume,
Mas em ritos diferentes me aclama melancolicamente,
Ao canto de meus olhos as sombras se multiplicam como grãos de areia; Invadindo o abismo negro de meu ser.

Se tu pecares, tu também irás senti-los…E a sua canção continua aclamando por minha miséria alma.

                         - Gabriel Vilodre.

Mantra

Prenda-me na escuridão,
Adentrando-me em teu corpo
Pois lá, lá é aonde eu pertenço.
Sabeis que a amo
Porém o teu corpo me move dizendo o que querer
Penetra-lo sob o céu nublado de Outubro...

E eu aclamei pelas sombras
Ás sombras que invadem ás noites como às trevas.
Eu não procuro razões,
Há promessas à serem quebradas e renovadas dentre tudo dizimadas.
Eu estimo à noite como o meu lar....

E, se eu continuar a pernoitar às ruas
O meu coração será um abismo de ardor
Porém estou voltando para o meu lar....

                         - Gabriel Vilodre.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Agora.

Agora minha visão embaça.
Agora minha visão escurece.
O breu do teto me abençoa ao sono.
Minha mente se lota de pensamentos.
Sussurros em meus ouvidos me alertam.
Embriagado de álcool  às sombras se apossam de meu corpo moribundo.

Agora minha visão arde.
Agora minha visão avista o fogo.
O lugar que estou não é a minha cama.
Há presenças junto à mim, eu sei.
Há coisas me perseguindo, também.
Embriagado de álcool às chamas se apossam de meu corpo moribundo.

Agora minha visão dói.
Agora minha visão se rende.
O breu é muito forte.
Há uma luz ofuscante ao fim daqui.
Há uma ardência ao fim disso aqui.

Agora minha visão melhora.
Agora minha visão descansa.
A áurea me acalma.
Agora tudo melhora.
Agora chegou à minha hora.

                            -Gabriel Vilodre.


quarta-feira, 11 de setembro de 2013

O Ritmo.

Minhas muralhas se romperam,
Eu não tenho refúgios para me esconder.
Eu não posso mais lutar, pois eu não consigo enxergar.
E eu sei; Sou como um bastardo egoísta.

Porém minhas intenções nunca mudam,
Não está na hora de mudar.
O seu rosto está apagado
Como mil cartas incendiadas.

Nada foi como eu planejei,
Nada como eu sonhei,
Sem amor, sem glória.
Nenhum herói para nos salvar.


            ...Uma súplica
                 Para um Deus surdo e cego;
                   Deixe a luz se apagar...

                               -Gabriel Vilodre


O Tempo.

E agora eu vejo o tempo me responder
De um modo que me faz sofrer.
Eu poderia ter te abraçado agora,
Mas não consigo te responder lá fora

E eu vejo que o tempo não mudou,
Pois não alterou nada no que eu sou.
E eu não posso tentar me perdoar,
Pois o fato não está em mim em errar.

A noite cai e eu não consigo enxergar
Tudo o que você fez para me cegar.
Pois eu sei que o pior não está por vir,
Pois eu não me recordo de tudo o que eu vivi.

             ...Sob a mentira está o prazer,
                  Sob ela está escondida o teu lazer...

Os capítulos parecem os mesmos,
Você realmente me quer? Para me torturar?
E eu sei que você irá chorar,
Pois eu não vou ligar.

                          -Gabriel Vilodre


Homem.

Não importa a qual lugar eu pertença,
Eu nunca mais irei tê-la em meus braços.
O quão longe minha sanidade esteja,
Eu sempre irei me lembrar de seus lábios
Todas as minhas memórias, frases, promessas
Resumidas em um antigo amor falho.

Não há luz em meu olhar
Não há vida em meus lábios
Não há sombras em meu coração
Não há sentidos em minhas palavras
Não há razões em minhas frases

Eu costumava dardejar o teu nome
Eu nunca quis perde-la
Tu me fazias jovem novamente
Me fazias feliz, novamente.
Não há mais nada que restou
Apenas o eco da solidão dentro de quem eu sou.

                            -Gabriel Vilodre.